No mês da Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP, Casa Vogue mostra sete sugestões de espaços de leitura que aliam conforto e estética apurada. Entre os criadores deste espaço de culto ao conhecimento e ao colecionismo – de livros! – estão arquitetos nacionais e internacionais, inclusive Oscar Niemeyer. Aproveite para se inspirar e ordenar seus livros e revistas. Boas ideias de como fazê-lo seguem abaixo.
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11 de jul. de 2013
2 de jul. de 2013
Livro - Arte e Cultura
Referência nos debates da arte moderna - especialmente no momento de deslocamento de seu centro de Paris para Nova York, no pós-Guerra -, "Arte e Cultura", reunião de ensaios do crítico norte-americano Clement Greenberg (1909-1994), volta em nova tradução. Grosso modo, Greenberg defendida, nas entrelinhas, que a arte evoluiu numa curva ascendente do figurativo ao abstrato, num processo de abandono das referências da realidade para centrar-se nos aspectos formais e plásticos da pintura - evolução que culminaria em algumas obras-primas do expressionismo abstrato norte-americano...
Valsar ou Esgrimir
Existirá uma estratégia infalível para que uma entrevista seja proveitosa a todos os envolvidos: entrevistador, entrevistado e público? Como lidar com o mau humor e a antipatia? Como enviar a conversa anódina e a falsa informalidade? Fazer ou não fazer, responder ou não responder a perguntas atrevidas e íntimas?
A estratégia da australiana Ramona Koval, de "Conversas com Escritores", não é a mesma da brasileira Betty Milan, de "A Força da Palavra", que não é a mesma dos vários entrevistadores que conversam com Hilda Hilst, agora reunidos em "Fico Besta Quando me Entendem". Mas, apesar das diferenças, todas funcionam muito bem, equilibrando ganhos e perdas.
Livro - Labirinto da Palavra
Os curtos ensaios que formam o livro de Claudia Lage, escritora premiada e professora de oficinas literárias, falam do ofício do escritor a partir de seus próprios depoimentos e de reflexões sobre os dilemas que envolvem a escritora e o gesto criativo.
A perspectiva adotada pela autora não é acadêmica, ou teórica, mas a de uma conversa delicada, que muitas vezes toca o poético. O foco é a captura da existência e suas ambiguidades que palpitam na literatura, do texto como experiência vital, singular e intransferível, que ganha força e se transforma na leitura.
30 de jun. de 2013
Livro - Insólita Metrópole
"Ah, São Paulo de 1932, um só corpo e uma só alma!". "Trinta e dois não foi uma revolução, foi uma Paixão! Vida, Paixão e Glória de São Paulo". Assim vibra Paulo Bomfim, recordando a euforia do movimento popular que lançou os paulistanos contra o governo de Getúlio vargas e por uma nova constituição - um dos episódios mais marcantes da história da "insólita metrópole" que é tema dos itinerários de memória e de afeto do "Príncipe dos Poetas Brasileiros".
Improviso e Arte do Futebol Moleque
Dois livros sobre futebol amador jogado nas ruas, nas praias, em campos improvisados, em lugares remotos e desconhecidos: o projeto de registrar os jogos informais ou espontâneos rendeu duas obras que permitem sentir a vibração e a alegria genuína e gratuita do esporte mais popular do planeta.
Procurar boas peladas mundo afora foi justamente o que motivou a norte-americana Gwendolyn Oxenham (ela mesma uma jogadora do "soccer", com passagem pelo time do Santos em 2005). O livro surgiu como um projeto de documentário em que Gwendolyn e seu namorado, Luke, acompanhados de um casal de amigos, se lançam à aventura de registrar peladas ("picados" em espanhol ou "pick up soccer" em inglês) ao redor do mundo.
Marinheiro a Cavalo
De Jack London muita já se escreveu sobre a vida e obra. Ele próprio, inclusive, se autobiografou intelectualmente por meio do personagem Martin Eden, ou contou suas próprias façanhas na "Travessia do Snark". Aliás, pode-se dizer que Jack London é o personagem típico das histórias de Jack London. Um sujeito indomável, astuto, idealista. Como ele gostava de se definir: um marinheiro a cavalo.
Mas, por trás desse personagem de romance de aventuras, existe o homem, nascido John Griffith Chaney, cuja vida é um bocado mais complicada. "Jack London - Uma Vida", do inglês Alex Kershaw, tenta dar conta das várias facetas do autor de "O Chamado Selvagem". Escrito em 1996, o livro é uma espécie de biografia definitiva do escritor, jornalista e ativista americano.
Livro - Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda
A fascinante lenda de Arthur, rei da Bretanha, influenciou escritores e artistas de diferentes tradições. Espanto algum causa, por exemplo, a descoberta recente do poema inacabado "The Fall of Arthur", de Tolkien. No início do século passado, Howaerd Pyle (1853-1911), importante ilustrador norte-americano, publicou uma tetralogia do ciclo arturiano, escrita e ilustrada por ele. A presente edição traz o texto integral e as 41 ilustrações do primeiro volume.
Livro - O Grande Gatsby
Não se deixe enganar pela duvidosa capa, que tenta emprestar o burburinho comercial da mais recente adaptação cinematográfica de um dos maiores clássicos da literatura norte-americana do século 20.
Essa nova edição da história de Gatsby - o novo - rico que reaparece misteriosamente na baía de West Egg para reconquistar o amor de Daisy Buchanam - é exemplar, com muitos acertos de tradução. O livro traz também o prefácio do autor, escrito em 1934, quando a obra ainda era um fracasso de público, e algumas cartas escritas por Fitzgerald ao seu editor, Maxwell Perkins, revelando as dúvidas do autor no processo de finalização do romance.
Livro - Um Sonho Ruim
Um "Dostoiévski à francesa", nos seus embates entre culpa e pureza, esperança e agonia. Expoente do que Antoine Compagnon chama de tradição "antimoderna" - que se digladia com a herança de anomia do processo revolucionário regicida e deicida de 1789.
Essas são aproximações possíveis e Bernanos (1888-1948). Em "Um Sonho Ruim", comparecem elementos de outras obras-primas, como "Sob o Sol de Satã" e Diário de um Pároco de Aldeia".
29 de jun. de 2013
Livro - O Retrato de Dorian Gray
Vulgar, sujo, venenoso, infame, indecente, de um decadentismo leproso, uma impostura. Essas foram algumas das críticas da imprensa britânica quando "O Retrato de Dorian Gray" foi lançado por Oscar Wilde, inicialmente numa revista, em 1890, e no ano seguinte em livro (muito modificado e autocensurado, em resposta ao escândalo).
Livro - Tempestades de Aço
Jünger é dessas figuras demoníacas que surgem ciclicamente na Alemanha de Lutero, Nietzsche, Freud e, por que não?, Hitler. Participou da Legião Estrangeira e das duas guerras mundiais; de seus diários surgiu "Tempestades de Aço", em que exalta a guerra como experiência estética - ou até sensual: "Com reverência incrédula, ouvimos o compasso lento do rolo compressor do front, melodias que haveria de se tornar costumeiras para nós naqueles longos anos. Bem ao longe, desintegrava-se a bola branca de uma metralha no céu cinzento de dezembro. O hábito da batalha soprava até onde estávamos e nos deixava estranhamente arrepiados".
Livro - Cinco Séculos de Poesia
A vida, segundo Boris Vian, como dente que estraga de repente, que dói, e então você o sente, coisa doída que, para ser resolvida, só sendo arrancada, a vida. A morte, para Poe, como o corvo sinistro que, no umbral da consciência, não faz senão repetir "nunca mais", decreto da finitude de todas as coisas. É de imagens fortes assim e versos clássicos, desde o século 16, que se faz essa coletânea de traduções de Alexei Bueno.
Livro - Na Franja dos Dias
A ironia sutil alinhava os poemas de Marcelo Sandmann, estabelecendo jogos de referências literárias, ou da cultura pop, e questionamentos sobre a própria poesia, na sua interface problemática com o real: "ah! vale a pena ser poeta / tudo sentir de todas as maneiras // meu pisante colorido / meu barraco lá no morro // veja: jatos de sangue / espetáculo de beleza".
Livro - Livro da Madrugada
Os poemas reunidos no "Livro da Madrugada", de Lelita Oliveira Benoit, apontam para uma crença no amor, na paixão e na sensualidade como experiências transcendentes, que remetem os amantes para "outro lugar", onde reinam "pura carne e leve espírito".
O problema é que o ideal de amor e de desejo acaba por prevalecer sobre a experiência amorosa concreta, vacilante, impura, efêmera, complexa, escatológicas, muitas vezes inapreensível. Tudo parece convergir para o emotivo, instância da pura subjetividade.
Livro - Iluminuras
O editor, gráfico, designer, tradutor e campeão brasileiro de esgrima Vanderley Mendonça é um sujeito de múltiplos alvos e milimétrica precisão. Em seu primeiro livro, ele demonstra tanto versatilidade quanto apuro. O editor do provocador selo Demônio Negro divide seu livro em duas fatias.
Na primeira, tem-se sua criação, exposta em versos afiados - de cantiga de amor e d'amigo - como "Para te ver tenho que fechar os olhos".
Livro - Pessoas Que Sonham Pelos Sonhos
"Pessoas que Passam pelos Sonhos" é o primeiro romance de Cadão Volpato, autor que até agora havia publicado quatro reuniões de contos. Um desafio que Cadão enfrentou, mantendo a tecla lírica se sua prosa para tocar em assuntos delicados, principalmente numa época de tanto obscurantismo.
Seu livro relata a viagem meio onírica de um brasileiro alto, loiro e de olhos azuis, Rivoli, por países da América do Sul, tendo por destino final a Patagônia, na Argentina. Para ser exato, um hotel no chamado "fim do mundo". Rivoli contrata em taxista, Tortoni (o sujeito tinha ponto no centenário Café Tortoni, em Buenos Aires), para levá-lo.
Livro - O Último Minuto
Um seminarista/missionário ouve, na cadeia, as confissões de um preso chamado João, o Vermelho. É uma história lenta, arrastada, ardilosa, sem pressa de chegar ao final, ao último minuto, aquele em que se revelará o motivo de estar confinado.
João, o Vermelho estudou educação física, depois foi técnico de futebol. Ele conta suas peripécias no Brasil e na Europa. Logo se vê que foi técnico mais ou menos bem-sucedido.
Livro - Gado Novo
Nessa obra de estreia do jovem autor catarinense, uma criança é brutalmente assassinada numa área rural no centro-oeste brasileiro. Cinco personagens narram, em primeira pessoa, momentos que se conectam com a morte da garota. Aos poucos, o leitor vai recolhendo informações e construindo o entendimento do crime, as motivações e relações pessoais entre os envolvidos.
Livro - Febre
Nesse breve romance em primeira pessoa, o narrador é um professor de filosofia que decide pedir em casamento a namorada, Mira, médica oncologista que frequentou algumas de suas aulas. A narrativa começa forte, com o acontecimento que irá alterar os rumos da história e da relação do casal, depois arrefece um pouco.
O evento central - o encontro e o pedido de casamento - dispara no narrador um processo de autoquestionamento, misturado a recordações e a inquietações filosóficas.
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